A força da melhor idade
“Atualmente, essa parcela da população vem conquistando espaços de trabalho, valorização, são alvos lucrativos para o mercado e estão vivendo mais”
por Diogo Figueiredo
Atualmente no Brasil e no mundo, os idosos, ou para aqueles que preferem denominar essa parcela da sociedade, até pôr uma questão de respeito, como público da melhor idade, possui um novo perfil e características diferentes daqueles do passado. Hoje, a melhor idade está se preocupando mais com a estética corporal, beleza, praticam esportes, vão a bailes para curtir e dançar, estão nas universidades e matriculados em cursos especializados como artes e informática. Enfim, buscam alternativas para se manterem ativos e para potencializar ainda mais seus conhecimentos. Com os avanços da biotecnologia e da ciência nas últimas décadas, podemos perceber que as pessoas que atingiram a melhor idade (mais de 60 anos), contam com mais qualidade de vida e maiores expectativas de viverem mais. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em pesquisa no ano de 2002, aponta que a longevidade humana dos brasileiros cresceu para 71 anos. Essa parcela da sociedade corresponde hoje a 15 milhões de pessoas e, até 2025, esse número dobrará, chegando a 30 milhões.
Esse novo perfil da melhor idade vem despertando o interesse de grandes empreendedores como um mercado altamente lucrativo. Normalmente, eles possuem uma vida financeira mais estruturada e estável, o que indica uma possibilidade de abertura de mercado para novos consumidores. Para atender essa demanda da população, profissionais da área de publicidade e do marketing enfrentam o desafio de entender melhor o perfil consumidor dessa parcela da população, para assim, desenvolverem produtos e serviços que satisfaçam suas vontades, além de readequar e inovar os já existentes.
Marcelo Orfhão Caraça, 25 anos, subgerente do Banco Real ABN AMRO, vê a evolução de vida da melhor idade como uma real oportunidade de negócio. “O Real investe em programas de incentivo como o concurso Programa Real Talentos da Maturidade, existente desde 2004, que possibilita ao público da melhor idade a oportunidade de dar continuidade no processo de vida saudável e intelectual. Com isso, esperamos que essas pessoas se simpatizem com nossa instituição para que tornem nossos clientes no futuro”, afirma Marcelo. Para atrair esse público crescente, é preciso que ocorra uma ação mais efetiva na parte de marketing, como investir em folders, portfólios, internet, rádio e, principalmente, na televisão, pois comunicação é a alma do negócio, diz Marcelo. Além do programa de incentivo, o Banco Real pretende preencher 3% do quadro de funcionários contratando pessoas com idade a partir de 60 anos. “O idoso precisa voltar para o mercado de trabalho, pois eles possuem longa experiência de vida e podem desempenhar funções importantes dentro da nossa instituição. Acreditamos que nosso trabalho será ainda mais reconhecido”, conclui Marcelo.
Apesar do universo reduzido de empresas que oferece oportunidade de contratação para a melhor idade, a iniciativa privada aposta que a experiência dos idosos pode beneficiar as organizações justamente pôr serem responsáveis, produtivos e valorizados.
Para Carlos Medeiros Silva, 28 anos, operador líder administrativo do Grupo Pão de Açúcar, os clientes costumam se identificar com pessoas mais vividas, pois aprovam o perfil de atendimento dos idosos. Hoje, a melhor idade ocupa 2% do quadro de funcionários do Grupo Pão de Açúcar e estima-se que esse percentual aumente para 5% nos próximos anos. “Os idosos possuem a experiência da dona de casa. Falam a mesma linguagem dos clientes que vem em busca de produtos e serviços”, afirma Carlos. Além dessas qualidades, os funcionários idosos servem como consultoria do cliente para o Pão de Açúcar. Segundo Carlos, esses funcionários prestam valiosas informações para o Grupo, possibilitando que os administradores tomem decisões de mercado eficazes. O público idoso, além de trabalhar muito bem, é também o que mais consome. A classe representa 40% do lucro do supermercado. Para aumentar as vendas e a participação desses consumidores, o Pão de Açúcar vem investindo em estruturas de acessibilidade, marketing e comunicação, para assim, agregar todas as parcelas da sociedade.
Diante as expectativas do mercado no que se refere ao consumo por parte da melhor idade, é preciso que haja uma uniformização nas ações de comunicação para melhor atrair esse público emergente, é o que explica Maria Cecilia Avari, 50 anos, professora do curso de propaganda e marketing da Universidade Bandeirante de São Paulo (UNIBAN). Segundo a professora universitária, é necessário que ocorra um ciclo eficaz e conjunto entre o marketing, a publicidade e propaganda e o jornalismo. Assim, o mercado conseguirá atrair esse nicho fazendo com que as ações tomadas sejam fundamentais para alcançar os objetivos estipulados. Maria Avari ressalta que não se pode identificar os consumidores da melhor idade como uma parcela homogênea da população. “Dentro desse grupo de pessoas, existe vários subgrupos que se diferenciam e se dividem entre homens e mulheres, pobres e ricos, brancos e negros, casados, divorciados, solteiros, enfim, classes que devem ser estudas detalhadamente a partir de pesquisas de mercado segmentadas para cada gênero. A partir daí, os profissionais do marketing poderão conhecer os perfis de consumidores existentes para então, desenvolverem produtos e serviços que melhor atenda as exigências dessa demanda”, explica Maria Avari.
Observando os aspectos sociais, culturais e econômicos que envolvem a melhor idade, o mercado tende a lucrar muito com o crescimento dessa população. Já as pessoas que estão com mais de 60 anos, só lhes restam sorrir e aproveitar as oportunidades que esse “negócio” tem para oferecer.
