Diálogo pragmático fortalece o Mercosul
“A busca pelo objetivo direto através do diálogo é a arma fundamental para estabilizar a situação socioeconômica dos países membros do Mercosul”.
por Diogo Figueiredo
A política de um diálogo pragmático e a preocupação geopolítica que busca a estabilidade dos países sul-americanos caracteriza a visão do Brasil, maior potência do bloco, diante ao Mercosul.
Em entrevista com o Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, questionamos a postura do governo brasileiro diante as negociações no Mercosul, e de que forma ele encara as discussões geradas pela a insatisfação de alguns países membros e o relacionamento bilateral entre Brasil e Estados Unidos.
O comércio recíproco do Mercosul, em seu inicio, era da ordem de cinco bilhões de dólares. Hoje, as cifras alcançam a casa dos 25 bilhões. As exportações ao longo do governo Lula supera os índices registrados no mandato FHC. O esforço pelo crescimento econômico do bloco faz com que os mercados mundiais reconheçam a força do Mercosul no âmbito das Américas. “Diria apenas que, cada vez mais, não só em função daquilo que ocorre dentro do bloco, mas também pelo interesse crescente que o bloco desperta entre os nossos vizinhos e também em outros países do mundo, o Mercosul é hoje uma realidade geopolítica e geoeconômica iniludível no contexto internacional”, afirma Amorim. Porém, o bloco sofre na luta pela integração de outras nações.
A criação do Fundo de Convergência do Mercosul (FECOM), aprovado pela Comissão Parlamentar do Mercosul (CPCM), é um importante passo para correção da assimetria vivida no bloco. O FECOM tem como objetivo reduzir as diferenças entre os países sócios através do financiamento de projetos de infra-estrutura e de treinamento que atendem a necessidade de cada país.
Segundo o Ministro Celso Amorim, o Mercosul não esta limitado somente aos governos, burocratas e empresários. A visão política do bloco é a de aproximação com os povos, com a sociedade. E é nessa concepção que Mercosul apresenta a inclusão da Venezuela como o mais novo membro do bloco, e ainda se esforça para integrar também a Bolívia. Deste modo, o bloco se vê ainda mais fortalecido nas relações comercias.
Alguns países se vêem insatisfeitos com frutos colhidos no Mercosul, como o caso do Uruguai recentemente. O ministro Celso Amorim reconhece a insatisfação do Uruguai no Mercosul, mas ressalta que na democracia não se pode reclamar quando os destinos da nação são sugeridos pelo o povo e não pela cúpula. Foi proposta a eliminação da dupla cobrança da Tarifa Externa Comum (TEC) para assim, atrair investimentos no país. Porém, a proposta ainda não pode ser aprovada, mas o bloco decidiu criar um Grupo de Trabalho que vai tratar essa questão com urgência para animar novamente a economia uruguaia. “Os países menores têm queixas históricas porque não obtiveram todos os benefícios, porque, talvez, não demos atenção suficiente no passado à necessidade de um tratamento especial para eles, não pusemos a atenção que mereciam na questão de cadeias produtivas. Mas estamos tentando consertar essas coisas, disse Amorim”.
No Brasil, o governo Lula afirma que o clima no Mercosul nunca esteve tão favorável à integração como agora. Discutir as assimetrias do Mercosul, reduzir os custos das transações comerciais e lançar programa de produção do biocombustível são os próximos passos do bloco econômico, na opinião do presidente Lula, que volta a pedir a união dos países sul-americanos, afirmando que nada se resolve sozinho, e que o Mercosul trará benefícios para todos os países membros.
Alca
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, considera a parceria em negociação com os americanos para a produção de biocombustíveis um novo modelo de relacionamento entre Brasil e Estados Unidos. Para ele, é desnecessário dar prioridade às negociações para a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), proposta dos EUA. A relação com Washington avalia, deve no momento se basear em acertos comerciais bilaterais, até que seja possível negociar um acordo mais amplo, do Mercosul com os EUA.
“Não se deve botar energia excessiva no esforço de ressuscitar a Alca. O que precisamos é de um acordo Mercosul-Estados Unidos, o que não é simples no curto prazo”, completa Amorim.
