NORDESTE – UM PARAÍSO CULTURAL
Por Diogo Figueiredo
O nordeste do Brasil é uma região que agrega uma diversidade cultural rica e marcante para o povo local, encanta e atrai brasileiros de outras regiões do país e deslumbra os turistas com suas belas paisagens, culinária, música, arte, artesanato, religião e literatura. A cultura nordestina possui raízes africanas, indígenas e européias intrínsecas em todo seu folclore.
A colonização portuguesa influenciou muito nas crenças e religiões de todo o Brasil, trazendo o catolicismo, principalmente no nordeste, mas também esta região teve influências africanas dos escravos da época da colonização. Segundo Cleide dos Santos, professora de rituais do Instituto Xangô, a mistura de catolicismo com crenças da África deu origem ao Candomblé, mais praticado na Bahia, católicos, santos e com rituais de Umbanda.
Instrumentos como zabumba, pífano, acordeão, triângulo, pandeirão, gongüe e matraca marcam os tons da música nordestina, que alegra e contagia o público dançante. O baião, gênero musical que se popularizou como música urbana no início da década de 40 através do trabalho de Luiz Gonzaga, considerado o “rei do baião”, e Humberto Teixeira, o “doutor baião”, dá ritmo ao “arrasta pé” nos bailes nordestinos. “Costumo freqüentar os bailes nos finais de semana porque sou apaixonada pelo baião. Danço até gastar as sandálias”, afirma Lara Medeiros, freqüentadora assídua do Centro de Tradições e Cultura Nordestina.
No nordeste encontramos grandes autores da literatura. O termo “literatura nordestina” surgiu devido ao fato dos críticos não aceitarem a diversidade contida na realidade social e ficcional da região. Além de grandes nomes como Jorge Amado e Ariano Suassuna, o nordeste é marcado pelo cordel. O estilo literário é quase que cantado, com versos que rimam de forma ordenada. Manoel Riachão é considerado por muitos autores, como o rei do cordel.
Outra grande expressão artística nordestina é o artesanato. Imagens religiosas e tecelagens que reproduzem símbolos encontrados em sítios arqueológicos expressam a riqueza artesanal da região.
A miscigenação traz para o artesanato nordestino a riqueza das cores, dos detalhes e da sofisticação. Colcha de retalhos, balaio, flauta de bambu, presépio, panelas de barro, moringa são alguns dos artesanatos que representam à história e a tradição do nordeste. Toda essa cultura é passada de pai para filho e desde cedo as crianças aprendem a manipular argila para criação de esculturas diz Maria de Fátima artesã da Feira da República, centro de São Paulo.
Carne-de-sol e pimenta são indispensáveis no preparo de uma boa refeição nordestina. Segundo Mara Salles, pesquisadora da cozinha brasileira, o cuscuz, a tapioca e o beiju têm a importância do pão e são feitos à base de farinha de mandioca, (aipim), que é essencial na mesa do nordestino, além de ser indispensável para engrossar pirões, favas, feijões e ainda acompanhar pratos com miúdos como buchada e sarapatel. Pratos típicos como rabada, caruru, mão-de-vaca, arroz de cuxá, espinhaço torrado, sururu de capote, são algumas opções que compõem a variada gastronomia nordestina.
Cerca de 28,5% da população brasileira é nordestina isso explica a grande diversidade dessa cultura que se expande em cada canto do território nacional se tornando fator de atratividade entre estrangeiros e habitantes de todo o Brasil.
