O surgimento do Rádio no Brasil
por Diogo Figueiredo
O surgimento da primeira instalação de uma emissora de rádio no Brasil ocorreu na cidade do Rio de Janeiro. Inaugurada oficialmente no dia 7 de setembro de 1922, a novidade compôs as comemorações do Centenário da Independência. Para essa ocasião, foram importados para o Brasil 80 receptores, onde componentes da alta sociedade carioca puderam ouvir em casa, o discurso do então Presidente Epitáfio Pessoa. A Westinghouse, utilizando um transmissor de 500 watts localizado no alto do Corcovado, instalou uma emissora que transmitiu por alguns dias, óperas diretamente do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. O projeto causou impacto público, porém as transmissões não deram continuidade por falta de projetos consistentes no segmento.
Apesar do rádio ter sido inaugurado oficialmente em 1922, existem provas documentais que comprovam que o rádio nasceu em Recife, no dia 6 de abril de 1919, por meio de algumas experiências feitas por amadores. Utilizando um transmissor importado da França, Oscar Moreira Pinto inaugurou a Rádio Clube de Pernambuco, associando-se tempos depois a Augusto Pereira e João Cardoso Ayres.
A implatação
Podemos definir o dia 20 de Abril de 1923 como a data de instalação da radiodifusão no Brasil, onde Roquette Pinto e Henry Morize dão início as transmissões da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, tendo como conteúdo informações de cunho nitidamente educativo. No início, o propósito dos fundadores era o seguinte: “Levar a cada canto um pouco de educação, ensino e alegria”.
Porém, logo esses objetivos começam a entrar em contradição, pois o rádio na época estava voltado para as classes de elite, que possuíam poder aquisitivo para trazer do exterior os aparelhos receptores. Com isso, o rádio estava longe de ser considerado um instrumento de difusão da informação entre as massas, pois a novidade era vista como empreendimento de cientistas e intelectuais. A programação era muito “seleta”, tocava-se ópera com discos emprestados pelos próprios ouvintes, recitais de poesia, concertos, palestras culturais entre outros eventos voltados a alta classe.
Ainda nos anos 20, começam a surgir por toda a extensão do território nacional novas emissoras, sempre denominadas como “clube” ou “sociedade” , formadas por idealistas que acreditavam na potencialidade do novo meio. A estrutura financeira das emissoras eram mantidas através de mensalidades pagas pelas próprias pessoas que possuíam os aparelhos receptores, eventuais doações de entidades privadas ou públicas e, muito raramente, por inserção de anúncios pagos, pois a legislação da época proibia essa ação. Outro fator curioso é que na época, as emissoras obtiam suas licenças com base na regulamentação da Radiotelegrafia e na Radiotelefonia, o que mostra que a rádio no Brasil só iria despertar a atenção do governo anos mais tarde.
A era comercial
Nos anos 30, preocupado com a situação legal das emissoras de rádio e a forma na qual elas conseguiam os recursos financeiros necessários para se mantê-las, o governo brasileiro tomou medidas decisivas para a evolução e a prática do rádio no país. Definindo o rádio como “serviço de interesse nacional e de finalidade educativa” , foi criado em 1 de março de 1932 o Decreto nº 21.111, que regulamentou o Decreto n° 20.047 de maio de 1931. O Decreto além de legitimar o funcionamento da radiodifusão, possibilitou que a publicidade e a propaganda fosse veiculada no rádio, aumentando os recursos financeiros para o seu funcionamento. No início, o limite de propaganda permitido na programação era de apenas 10%. Posteriormente, esse número se elevou para 20%, e hoje, encontra-se fixado em 25%.
A transmissão de mensagens comerciais fez com que o rádio mudasse sua proposta inicial voltada para a classe elite, para começar a ganhar a população de massa. O que era visto como “erudito”, “cultural” e “educativo”, transforma-se em “popular”, segmentando o rádio para o lazer e a diversão.
Essa nova linha de pensamento fez com as rádios se organizassem como empresas, para assim, disputarem os espaços de mercado.
Na mesma época, ocorria na Europa a Revolução Industrial. Com o surgimento de novas indústrias e empresas, o comércio começa a ganhar forças, porém necessitava de um meio veloz para levar seus produtos até os consumidores, para então, conquistar a massa. Observou-se que a radiodifusão era a ferramenta mais eficaz para efetivar esse tipo de ação, por isso, os empresários não hesitaram em utilizá-la. O Rádio a partir de então, passa a ser visto como instrumento de desenvolvimento político e econômico do país.
