Punk: movimento político e musical ou formação de gangues violentas?
por Diogo Figueiredo
Analisando os fatos decorrentes sobre o movimento punk nos últimos anos, onde a mídia expõe com certa freqüência casos sobre o envolvimento da tribo em atos de violência, cabe a nós nos perguntarmos o que é ser punk nos dias de hoje e aonde foi parar sua essência.
O movimento punk surgiu como forma de mudar radicalmente os costumes tradicionais da sociedade, no que se refere à música, política, estilo e comportamento, filosofia e os meios de comunicação. Sua essência se dá na luta e resistência contra o sistema capitalista e na quebra de valores sócias e morais. Porém, nos dias de hoje, parece não ser essas as idéias dos jovens que aparecem com as fotos estampadas nos jornais. A imagem que se têm, ou pelo menos a imagem que a mídia veicula, são a de criminosos, briguentos e assassinos que andam assombrando a sociedade em atos violentos.
Numa sociedade capitalista onde a pobreza, miséria e a falta de educação e trabalho acabam gerando a violência, não se pode culpar e fechar o foco da noticia sobre o movimento punk generalizando-o como uma tribo terrorista. Cabe ressaltar que se tratando de uma sociedade de classes, a violência deve ser encarada simplesmente como circunstancia do sistema governamental em que pertencemos. Existe e sempre existirá em todas as camadas sociais do Brasil. Mas como se trata de um movimento que se opõe diante aos ideais das grandes mídias, fica fácil perceber que a posição tomada pelos veículos de comunicação é parcial, influenciadora e que ataca sem pudor, o movimento punk contrariando seus princípios perante a sociedade. Essa é a conclusão sobre a cobertura da mídia sobre os acontecimentos ocorridos no Brasil durante os últimos meses de 2007.
Pois bem, agora nos resta refletir sobre as ações de algumas pessoas que andam por ai vestidos de punk ou caracterizando ser do movimento.
Hoje, virou moda e divertido usar coturno, cabelo moicano, roupas rasgadas com arrebites e perambular pelas ruas com um skate debaixo do braço se dizendo punk. Esse é preço que underground pagando por causa da indústria cultural, que usufrui do visual para gerar lucro e preencher ainda mais as cabeças dos jovens com o vazio.
São esses os verdadeiros “punks” que estão estampando as capas dos jornais e virando noticia de primeira ordem nos telejornais. E sobre as atitudes violentas que essa tribo vêm tomando nas ruas de todo país, a resposta deve ser dada através da justiça. Quem infere desse modo sobre a vida de outras pessoas deve pagar o preço que o judiciário tem para oferecer. Essa é a segunda conclusão sobre o tema.
Diante dos fatos esperamos que esses acontecimentos não se confundam com o verdadeiro principio punk, muito menos que seja generalizado pela mídia como vêm ocorrendo nos últimos tempos. Ser punk é sinônimo de opção política. Não de marginal.
